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em vida

Você deveria se cuidar.

Minha mãe sempre marcou meus médicos.
Até meus 19 anos, que foi quando saí de Birigui pra vir morar em São Bernardo do Campo, eu nunca precisei me preocupar com isso.

E seguindo o exemplo dela, quando me mudei eu sempre me preocupei em marcar exames periódicos e saber se tava tudo ok comigo, certo?

Errado.

O começo da vida adulta

Morar com os pais é uma coisa.
Morar sozinho é outra completamente diferente.

Por mais óbvio que seja dizer isso, na época em que fui morar sozinho eu não tinha muita noção disso.
Eu era livre: podia fazer o que bem quisesse, na hora que quisesse sem ter que dar nenhum tipo de satisfação pra ninguém.

Me deslumbrei com tudo isso.
Fiz amigos, fui em muitas festas e bares e em nenhum momento me preocupei em cuidar de mim e do meu corpo.

Paternidade

Eu fui pai jovem, tinha 21 anos quando a Sophia nasceu. Já estava casado com meu amor, a Camila.

Casar e ser pai me deram um estalo que eu precisava ter um emprego melhor e uma carreira, então eu corri atrás. Consegui um emprego novo, comecei a trabalhar bastante e troquei de trampo algumas vezes de 2008 até chegar na Caelum em 2014.

E fora trabalhar, o que eu fiz nesse tempo?
Bebi bastante cerveja, com certeza. Fiz amigos, saí pra cacete.

Mas e cuidar de mim mesmo, do meu corpo? Nope.
Ir ao médico, saber se tava tudo bem comigo? Vários nada.

Ascenção na carreira

Quando comecei a trabalhar na Caelum, em 2014, minha vida mudou. Gostei muito de dar aula e do ambiente de trabalho que me oferecia muitas oportunidades.

E aí, o que eu fiz? Trabalhei mais.

Depois de um tempo dando aula, eu encontrei dentro da empresa um trabalho que eles estavam precisando e eu gostava de fazer: social media.
Fazia Facebook. Depois peguei Twitter. Linkedin.
Fazia só de uma empresa. Depois de duas. Depois de todas de grupo Caelum.
De social media comecei a fazer newsletter.
Contratei uma pessoa.
Comecei a fazer lives.
Contratei outra pessoa.
Virei chefe.
Comecei a fazer tirinhas.
Podcast.
Youtube.

Fora projetos pessoais como esse blog aqui.
Ser ativo no Twitter.
Manter uma newsletter pessoal.

E a saúde?

A queda

Eu não sei dizer a data exata, mas num dia qualquer entre o início e meio 2016, um dia eu estava dando aula e senti um desconforto no peito.

Achei estranho, mas continuei.
Meu coração começou a acelerar.

28 anos, 105kg, sedentário, bebedor de cerveja e fumante ocasional.
Tô infartando com 28 anos porra? Foi o primeiro pensamento que me veio.

Eu comecei a ficar mais mal. Pedi um minuto pros alunos e fui no banheiro.
Joguei uma água no rosto. Respirei fundo e voltei pra aula.

Contineu a aula. Não melhorei. Pedi um tempo de novo e liguei pro meu chefe.
Ele me disse que se eu não tava bem era melhor cancelar a aula.

Dispensei a turma, já passando muito mal.
Eu estava com uma sensação horrível, passando mal e com a sensação de que eu ia morrer a qualquer instante.

Corri pro hospital mais próximo junto com um outro colega de trabalho que me acompanhou.

Chegando lá, fiz vários exames.
Eu não tinha nada.

Sindrome de pânico

Desde esse dia em que passei mal até o fim de 2017, eu tive muitos outros episódios em que passava mal, achava que ia infartar ou algo do tipo e corria pro hospital mais próximo.

E eu sentia isso de verdade.

Eu cansei de ir em pronto-socorro, fazer os mesmo exames e não ser nada.
Toda vez que acontecia era igual, mas o mesmo tempo diferente.

Eu sempre pensava:
Da última vez não foi nada, mas e se agora for? E lá ia eu para o pronto-socorro.
Coitada da minha esposa que me acompanhou tantas vezes nessas viagens ao hospital.

Depois de um tempo, fui ao psicólogo e psiquiatra, contei minhas experiências, fui diagnosticado com síndrome de pânico e comecei a fazer um tratamento.

Apesar de estar quase o tempo todo meio mal, eu nunca deixei de fazer o meu trabalho por causa disso.

Olhando pra trás agora, eu não sei porque demorei tanto tempo pra ir atrás de algum tipo de ajuda. Me sinto meio burro até.

Junto com o tratamento, comecei a fazer boxe. Me empolguei e participei de uma corrida.
Fui nos meus médicos, fiz exames pra saber se tava tudo bem comigo.

E tava :)

Cuide-se

Eu mudei de vida.
Do início de 2018 até hoje, eu sou outra pessoa.

E sabe por que? Porque eu comecei a cuidar de mim mesmo.
Nós esquecemos disso, sabe? E é normal acontecer. Mas não deveria.

Não tomo mais remédio nenhum, tomei por bem pouco tempo.
Como ok e bebo minha breja, faço meus exercícios diariamente, tento dormir o suficiente e tenho tempo pra mim e minha familia.

Você cuida de si?

Nós temos muita coisa pra pensar: carreira, dinheiro, amor, diversão.
A vida vai passando e esquecemos de nós. Acumulamos muitas coisas dentro da gente. Coisas ruins e coisas boas.

E as ruins precisam sair.


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