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O networking está morto. Mas também está mais vivo do que nunca

O networking está morto. Mas também está mais vivo do que nunca.

Quando eu tinha uns 7 anos, costumava acordar bem cedo aos domingos e assistir com meu pai um programa chamado Pesca & Companhia. Que, como você deve imaginar, era um programa de pesca: o apresentador Rubinho viaja pra vários lugares do país pescando com convidados.

Pescaria sempre foi um hobby do meu pai.

Ele curtia tanto pescar que em 1995 eu e ele fomos de carro lá de Lençóis Paulista, cidade que morávamos na época, até São Paulo pra participar da segunda edição da FEIPESCA, uma feira sobre...pesca. Imagine um pavilhão de exposições cheio de estandes com tudo que você imaginar referente à pesca: varas, moniletes e carretilhas, linhas, iscas, barcos, motores, roupas apropriadas, chapéus.

Como eu só tinha 7 anos e nunca tinha ido pra São Paulo (ou em um evento daquele tamanho) fiquei impressionado com tudo que vi por lá. Inclusive o Rubinho do Pesca & Companhia estava lá e me deu um autógrafo (que eu perdi).

Lembro que mais tarde depois do evento, no quarto de hotel, meu pai tirou de dentro do bolso da calça jeans uma infinidade de cartões de lojas de pesca e empresas de turismo, além de um pedaço de papel com números de telefone de pessoas que ele conheceu lá. Ele guardou tudo aquilo e, quando chegou em casa, colocou em uma pasta especial no escritório dele.
Esses cartões e panfletos representam a razão principal pela qual meu pai foi nesse evento: pra se conectar com outros amantes de pesca e com empresas e pessoas que vendem serviços e produtos pra pescadores. Em outras palavras, ele foi fazer networking.

Na área de tecnologia, por muito tempo fizemos networking desse mesmo jeito:indo em eventos, trocando cartões, pegando panfletos.

O networking está morto

Com o crescimento do uso de redes sociais de todos os tipos, principalmente o LinkedIn, muito se fala sobre networking. E a gente não precisa procurar muito pra encontrar perfis de gurus por lá que falam de carreira, negócios e afins salientando a importância do networking e repetindo essa palavra infinitamente.

Mas o que é networking?

Como eu compartilho bastante conteúdo, é normal pessoas que não conheço me adicionarem lá no Linkedin com o propósito de "fazer networking", quando na verdade elas só querem algo de mim. Seja me vender algum produto ou que eu divulgue vagas da empresa delas, que as chame pra um podcast, intermedie algum tipo de negociação entre elas e a Alura, etc.

E eu não tô falando que isso é ruim. Tá tudo bem você adicionar pessoas e conversar com elas sobre o que quer que seja. Mas você percebe que essa é uma relação de curto prazo? Você me adiciona, pergunta/pede algo que é do seu interesse e vai embora.

Na FEIPESCA, meu pai foi com o interesse de encontrar pessoas e empresas de pesca. Ele queria algo das pessoas, e elas queriam algo dele. Trocaram cartões, ele voltou pra casa e nunca mais foi em uma feira. Eventualmente, ele deu uma olhada na pasta cheia de cartões e panfletos e talvez tenha comprado alguma coisa ou entrado em contato com alguém. Talvez.

Será que é esse tipo de networking que queremos levar pra nossas carreiras? Onde sempre há uma troca: você precisa de algo, o outro lado também. Assim que o interesse acabar, acabou a relação.

Criando conexões reais

É ok ir a eventos e trocar cartões. É ok adicionar pessoas nas redes sociais baseado em interesses.

Mas são as conexões reais que vão dar os melhores resultados na sua carreira no longo prazo.

Tá cheio de gente nas redes sociais falando de networking, da importância da empatia e da comunicação, blablabla. Mas e de gente que realmente tá interessada nos problemas e nas pessoas das comunidades que participa? Gente que quer contribuir e ajudar e não ficar só esperando algo em troca?

Se você olhar canais de Youtube e redes sociais da galera de tencologia é comum ver muita gente repetindo as mesmas fórmulas pra agradar algoritmo. Seguindo a cartilha dos formatos que as redes sociais pedem pra ter engajamento, likes, alcance e todas essas métricas de vaidade que importam em contextos muito específicos, mas que às vezes usamos como parâmetro pra decidir se vamos falar sobre algo ou não.

Você com certeza já teve a ideia de criar algo mas não foi pra frente porque pensou que poucas pessoas iriam consumir aquele conteúdo. Mas...será que isso importa?

Pensa comigo: se você fizer um podcast que, no primeiro ano, tenha 20 downloads por episódio. Parece pouco, certo?
Agora, imagine 20 pessoas. Uma do lado da outra. Elas são reais, não números em uma plataforma. Pessoas de carne e osso que por um ano irão ouvir a sua voz, sentir que te conhecem, que vão ouvir suas dicas e conselhos e confiar no que fala. Pessoas que irão criar uma imagem positiva de você e que podem te ver como referência sobre um assunto específico.

Networking é sobre se conectar, e se conectar vai além de interesses em comum.

O networking está mais vivo do que nunca

Você não precisa ir num evento pra fazer networking. Toda as ferramentas necessárias pra isso estão no seu bolso, através do seu celular.

E como eu disse aí em cima: faltam pessoas autênticas na internet. Que falem sobre o que gostam, interajam de verdade e se interessem genuinamente com as pessoas e os problemas à sua volta.

Isso que eu tô fazendo aqui agora é uma forma de networking, não é? Você leu até aqui, provavelmente concorda com tudo que eu falei até agora e sente uma conexão comigo de alguma maneira. E eu escrevi esse texto sem pensar em métrica, em resultado. Eu só estou conversando com você. Conversando de verdade, falando o que eu penso e como eu penso.

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