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em carreira

Faculdade de TI, fazer ou não fazer? Minha experiência.

Esse post é um relato pessoal sobre a minha vida, e pode servir pra você ou não :)

Depois de ouvir o episódio dessa semana do Hipsters.Tech, resolvi escrever um pouco sobre a minha experiência com faculdade.

Quando eu fiz 17 anos, não sabia muito bem o que fazer da vida, como a maioria das pessoas dessa idade, né? Tirando os poucos afortunados que, sabe-se lá porque, têm certeza do que querem ser desde cedo e já vão para o colegial com aquele objetivo em mente.

Na época eu morava em Birigui, a Massachusetts brasileira, que não é um lugar com muitas possibilidades de carreira.
Meu pai era (ainda é) um dos donos de uma empresa de desenvolvimento de software lá e eu já tinha trabalhado com ele por um tempo. Pensei ah, quer saber? Bora fazer uma faculdade de tecnologia e trabalhar com isso.

E lá fui eu

Comecei o curso em 2005, se não me engano. Era processamento de dados? Nem lembro mais o que era. Só sei que era algo totalmente diferente do que eu esperava. Acho que todo mundo se sente um pouco assim na faculdade, não é?

Enfim, eu fui mais ou menos um ano e meio pra faculdade, mas eu não suportava aquilo. Não me orgulho em dizer isso, mas chegou uma época em que eu ia mais para o bar da faculdade do que para as aulas.
Achava as aulas chatas, desinteressantes e não suportava ficar 4h dentro de uma sala de aula.

Juntando isso com o fato de eu me sentir muito deslocado em Birigui, decidi mudar.

A vinda pra São Paulo e a segunda tentativa

No início de 2007 eu praticamente me joguei em São Paulo: sem emprego, sem lugar pra morar e com pouco mais de 1000 reais no bolso. Louco? Talvez.
Na época eu contava com a solidariedade de alguns amigos e da minha esposa (na época amiga) pra dormir e filar uma bóia.

Mandei currículo adoidado e acabei conseguindo uma vaga de trainee em uma empresa do Itaim Bibi em menos de um mês. Assim que consegui, me matriculei na faculdade de novo, Sistemas da Informação.

Acho que dessa vez eu fui na aula umas duas semanas. Não consegui. Era insuportável pra mim ficar lá, um esforço tremendo. As aulas continuavam sendo desinteressantes demais.

A terceira tentativa

Depois de um tempo trabalhando e vivendo a vida louca em São Paulo, minha esposa (ná época namorada) engravidou e fomos morar juntos. E aí eu pensei poxa, acho que era bom terminar a faculdade.

E lá fui eu, mais uma vez...
Nessa época eu estava trabalhando em Pinheiros e morava em São Bernardo do Campo, madrugava pra pegar o fretado pra ir pro trabalho e na volta chegava em casa 18:30, tempo de engolir uma comida e ir pra faculdade.
Juntando isso com o fato de eu achar as aulas desinteressantes...bem, acho que não preciso dizer exatamente o que aconteceu, né? Desisti. E dessa vez foi de vez.

Como foi pra mim

Apesar de eu não ter feito faculdade, eu estive desde o início inserido no mercado de trabalho, e isso me ajudou muito. Eu não tive professores para me guiar, mas trabalhei com gente bacana que me ensinou muito e me ajudou a crescer.

E como desde cedo eu trabalhei na área, aprendi a me virar e a estudar um monte de coisas sozinho. Talvez tenha sido mais sofrido por um lado, mas eu me sentia bem confiante para resolver um problema estudando e pesquisando por mim mesmo.

Se você não trabalha na área, não sabe muito bem por onde começar nem o que fazer, sugiro fortemente que você faça uma faculdade, com toda certeza.

Quando fez falta

No dia-a-dia do trabalho de verdade, eu nunca senti falta de uma faculdade.

Pode ser que de repente um ou outro problema eu teria resolvido melhor se tivesse uma base melhor em cálculo ou estatística, mas no geral eu sempre me virei muito bem.

Acho que o que fez mais diferença, pra mim, foi a questão de entrevistas em algumas empresas: muitas delas pedem como pré-requisito você ser formado ou estar cursando.
E como muitas dessas empresas deixam o contato inicial na mão do pessoal do RH, eles irão seguir isso à risca, ou seja: tem 5 anos de experiência sólida no que eles precisam mas não tem faculdade? Não serve.

Veja se você se encaixa

Escrevendo este texto, lembrando do passado e vendo como estou hoje, sinto que o fato de eu não gostar das matérias da faculdade dizia algo sobre mim: que eu não tinha o perfil pra ser o desenvolvedor hardcore.
Tanto que sempre trabalhei com isso, mas nunca foi minha paixão.

Eu acabei me encontrando um tempo atrás mudando o rumo da minha carreira e me encontrando em uma área diferente, e o trabalho que faço hoje é mais próximo do jornalismo do que do desenvolvimento de software.

Não me entenda mal: eu gosto muito de desenvolvimento e tecnologia, leio sobre isso todos os dias, faço um programinha semanal sobre as notícias de tecnologia e programação, trabalho em uma instituição de educação onde o forte ainda é programação e dei aula por muito tempo na Caelum, que é referência nacional em ensino de programação.

Mas eu tenho um perfil diferente do programador que realmente curte estar todos os dias ali, escrevendo código, debugando e resolvendo os problemas. Se você se sentir da mesma forma que eu nas aulas da faculdade, sugiro que você pense muito bem se é exatamente isso o que você quer.

No fim das contas, o importante é encontrar o seu caminho e nunca parar de tentar :)


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