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em carreira

Como se tornar relevante na área de TI sem ser um rockstar - parte 1.

Antes de mais nada, tem duas palavrinhas no título desse post que são importantes: relevante e rockstar.

Vamos falar primeiro sobre o relevante. Quando eu digo relevante aqui eu não quero dizer que irei te ensinar a ser alguém famoso nem rico.

Puxei o significado de relevante do dicionário aqui:
1. que tem relevo, que tem importância.
2. que se salienta, que sobressai

Minha ideia então é falar de alguém que se destaca, que se sobressai no trabalho e na comunidade.

É isso que eu quero dizer com relevante.

E rockstar?

Por que eu tô usando esse termo se estamos falando da área de TI aqui?

Bora contextualizar:

Vou colocar a descrição aqui caso você não saiba inglês ou seja deficiente visual: dois homens de terno entrevistam um rapaz de camisa e dizem:
-Estamos procurando um desenvolvedor rockstar para o nosso time. No segundo quadro, o cara que está sendo entrevistado joga o monitor pela janela. No terceiro, injeta uma seringa (possivelmente com alguma droga) na veia. No quarto, ele está caido desmaiado no chão e um entrevistador olha para o outro e diz:
-Ele é bom!

Quando pensamos em rockstar, vem algo parecido com isso né? Alguém que é doidão, que quebra tudo e usa drogas.

Mas de uns tempos pra cá, se tornou modinha algumas empresas usarem o termo rockstar, ninja e guru na descrição das vagas. Mas essas pessoas não querem um cara como esse aí da tirinha né.

O que elas querem então?

Talento

Elas querem pessoas talentosas, que fazem acontecer.

Vamos subir o nível aqui e falar de duas pessoas extremamente talentosas da área de TI, dois rockstas: Steve Jobs e Linus Torvalds.

Antes de mais nada: longe de mim querer questionar qualquer tipo de capacidade técnica deles. Eles são (vou falar do Steve no presente, ok?) extremamente fodas no que fazem.

Pessoas como o Steve e o Linus são referências para nós. São modelos a serem seguidos.
Nós acompanhamos o trabalho e lemos notícias sobre essas pessoas. No caso do Steve, vemos filmes e até lemos a biografia do cara.

Mas tem uma coisa não tão legal pela qual esses caras também são famosos: a falta de empatia.
(No caso do Linus, ele pediu desculpas publicamente essa semana).

Acredito que a maioria de nós já ouviu pelo menos uma história do Steve ou do Linus. Não vou entrar em detalhes aqui sobre essas histórias (google it) porque não é o foco. Mas tanto Jobs quanto Torvalds ficaram conhecidos por tratarem mal pessoas que trabalhavam com eles (às vezes publicamente).

Mas eles tem talento!

Você pode me dizer algo como “ah, mas eles podem, eles são muito bons no que fazem. Eles têm talento”.

De fato!

Por bem ou por mal, esses caras quebraram paradigmas e foram revolucionários em vários aspectos. Eles fizeram acontecer.

Mas vamos ser honestos aqui: a maioria de nós não vai ser um Steve Jobs ou um Linus Torvalds. E eu não tô querendo jogar ninguém pra baixo aqui falando isso. Só estou dizendo que esses caras são gênios e que dificilmente seremos disruptivos como eles foram.

Mas ainda assim, algumas pessoas quando sabem mais, tem uma posição importante ou apenas têm alguns anos a mais de mercado muitas vezes se espelham nesses caras, mas no sentido negativo.

E o que acaba acontecendo é que o que mais se sobressai nesses profissionais não é o talento.

É o ego.

E, apesar disso, essas pessoas são mantidas nos cargos que elas têm. Elas tão aí ativas e palestrando nas comunidades.

Por que?
Porque elas são boas, por que elas têm talento. Elas são tratadas como rockstars.

Meu intuito aqui não é fazer você deixar de ser rockstar se já é um.

O que eu quero é te mostrar caminhos pra você ser um profissional de destaque, mas sem perder a humildade e deixar o ego acima de tudo.

Compartilhar

A primeira coisa que eu tenho pra te aconselhar é compartilhar.

Como assim compartilhar? Por que eu tô falando isso?

Antes de mais nada, vamos admitir uma coisa aqui: programar é difícil. Claro que como qualquer outra habilidade, algumas pessoas têm mais facilidade que outras.

Mas é difícil.
Especialmente pra quem está começando.

Quando você começa a programar, é apresentado a vários conceitos que nunca ouviu falar e coisas que nunca achou que ia ter que aprender pra programar.

Declaração de métodos e funções, recursividade, herança e polimorfismo são algumas das coisas que pra gente hoje são tranquilas.

Mas você lembra como foi quando você aprendeu?

Querendo ou não, demora um tempo até você aprender essas coisas e entender elas em um nível que você consiga aplicá-las no dia a dia numa boa.
Meses. Às vezes anos.

Não é fácil.

Mas fica mais fácil se tiver alguém pra te ajudar.

Fica mais fácil se você tiver alguém por perto que compartilha o que sabe.

Pode parecer óbvio isso que eu tô falando. E é: você trabalha em um lugar com outras pessoas, todos estão ali trabalhando por um objetivo em comum e bom...vocês vão se ajudar não é?
É o que deveria acontecer. Mas não é assim que rola 100% do tempo, infelizmente.

Por alguma razão, existem pessoas que, por terem muito conhecimento em determinado assunto se sentem superiores do que as outras. E tratam elas mal por isso.

Mas olha só: você não é melhor porque sabe mais do que eu.

E quando eu digo ser melhor, eu não tô falando tecnicamente. Tô falando como pessoa.
Nós somos pessoas.

Quando você vai pro trabalho, você não é só um funcionário que tá ali programando.
Você é uma pessoa, que tem uma família, tem sentimentos, anseios, vontades, medos. E você não sabe o que a pessoa aí do seu lado tá passando no dia a dia dela. Você não sabe se ela tá bem de verdade.

Não deixe uma pessoa se sentir inferior porque você sabe mais que ela.

Compartilhe o que sabe e ajude as pessoas ao seu redor.
Você não será um profissional pior se não agir como uma estrela.

E lembre-se: é ok não saber das coisas.
Todo mundo um dia não soube. Até aprender.

Você não é pago pra programar

Como assim não sou pago pra programar? Eu sou programador(a)!

Pois é, você não é pago pra programar.

Quem usa seu software não vê o código que você faz. O usuário não se importa com que tecnologia que você usa.

Ele tem um problema e precisa que o software resolva esse problema.

Escrever código é apenas um meio para um fim.

É claro que é importante aprender as novas tecnologias, estar em dia com as boas práticas e sempre se atualizar.

Mas no dia-a-dia do trabalho, o que você precisa é resolver problemas, sem criar novos e perder tempo quando a tecnologia não é a que você gosta ou algo do tipo.

Seja relevante

Se você é alguém que compartilha conhecimento e eleva o nível do time ao mesmo tempo que é focado em resolver problemas sem criar novos, você é uma pessoa relevante no seu time.

Que líder de equipe não que alguém assim?

Não precisa nem ser líder, você não gostaria de ter um companheiro de trabalho assim? Que te ensine, te ajude a crescer e ao mesmo tempo te mostre o caminho pra ser um melhor resolvedor de problemas na empresa?

É essa pessoa que vai ser lembrada quando alguém precisar ser promovido.
É esse o argumento que você vai usar quando for pedir um aumento.
É em você que vão pensar quando a empresa for desenvolver aquele novo projeto super legal e desafiador.


Essa foi a primeira parte de uma série de 3 que vou falar sobre ser relevante :)

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