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Como aprendi a me organizar depois de quase perder a sanidade

Como aprendi a me organizar depois de quase perder a sanidade.

Já esqueci mais de uma vez de pagar a conta da escola da minha filha online e tive que ir até a escola e pagar em dinheiro vivo. Com multa e juros.

Já enchi a cara um dia antes de uma reunião importante às 9h, acordei atrasado pra pegar ônibus e metrô morrendo de ressaca. Mais de uma vez.

Já aconteceu comigo de estar jogando, lendo um livro ou vendo tv e sentir uma sensação estranha, algo errado...e me dar conta que, bem, lembra aquela tarefa super importante que você tinha que fazer, que era pra entregar ontem? Eu não fiz. Simplesmente esqueci.

Soa familiar pra você de alguma maneira?

Minha esposa diz que sou esquecido, avoado. Às vezes ela me pede algo, eu falo "ok", vou fazer outra coisa e esqueço.

E, por muito tempo, eu meio que eu aceitei que sou assim. Que sou esquecido e isso era algo que fazia parte da minha personalidade.

Até algo sério demais acontecer.

Entre boletos atrasados e reuniões de ressaca, a vida foi seguindo e tava tudo bem. No trabalho, fui crescendo e pegando cada vez mais responsabilidades, até que me tornei lider de um pequeno time: eu e mais duas pessoas.

No início, deu tudo certo.
Até que eu comecei a dar pisadas na bola quase que semanalmente... muitas vezes com coisas simples do dia a dia. Tarefas que eu fazia todo dia há muito tempo e já estava acostumado. Mas tinha dias que eu simplesmente esquecia de fazê-las.

Depois de alguns avisos do meu chefe, conversamos e entendemos que era melhor eu deixar de liderar pessoas e ir para outro time dentro da empresa.

Eu fui "despromovido". E fiquei bem mal com isso.

Não vou falar que foi legal, mas hoje eu consigo enxergar que foi o início do processo de organização da minha vida. Mais do que isso: da minha mente.

Deixa eu te explicar: nessa época, além do meu trabalho eu já tinha blog, fazia lives, tinha filha, esposa. E o sentimento que eu tinha é de estar com pressa o tempo todo.

De ter coisas demais pra fazer e nunca dar tempo pra fazer nada direito.

Além disso, eu tava muito acima do peso, bebendo com frequência demais e com uma síndrome de pânico mal tratada.
Hoje eu enxergo o tanto de coisa que tinha acontecendo e como eu abordava (ou não abordava) certos problemas da minha vida.

Pra começar: esquecer de pagar conta sempre não é normal. Assim como não é normal simplesmente esquecer tarefas importantes do dia a dia e encher a cara porque não lembrava que tinha reunião cedo no outro dia. Ok, confesso que algumas vezes eu lembrava sim.

De qualquer forma, eu precisava mudar minha vida.

E não foi da noite pro dia que isso aconteceu: foi (e tá sendo) um processo lento e sinuoso. Não vou contar exatamente passo a passo como foi, mas vou tentar resumir como eu cheguei na maneira que me organizo hoje.

Bem, pra se organizar você precisa de uma ferramenta, certo?
Eu já testei várias ferramentas.

Desde que trabalho com tecnologia, já tentei usar todas as ferramentas de organização que você imaginar. Das mais famosas às mais hipsters. E nunca me adaptei com nenhuma.

Digo, eu anotava todas as minhas coisas lá, mas aí eu esquecia de conferir todos os dais. Às vezes usava por um tempo até parar e voltar pro modo caótico. Ou parava de usar porque achava que a ferramenta não era boa o suficiente pra mim.

O problema não era as ferramentas, era eu.

Um pouco antes do início da pandemia em 2020, comecei a trabalhar no time de marketing do Grupo Alura. Assim como já tinha acontecido no passado, no início eu tava lá mandando bem. Mas aí comecei a passar uma coisinha ou outra, até que eu fiz uma coisa muito errada. Tipo, muito errada mesmo. Dei um grande vacilo.

Nesse dia, minha chefe chegou em mim pra conversar e disse "cara, isso simplesmente não pode acontecer de novo". E eu, felizmente, captei o recado.

Nesse momento, percebi que precisava de ajuda.

Então, pedi ajuda pra minha chefe. Expliquei que me sentia muito cheio de coisas pra fazer, que me perdia e que simplesmente não conseguia me organizar direito.

Ao invés de me falar pra usar Notion ou algo do tipo ela disse "por que você não anota tudo que tem que fazer no dia num caderno e deixa ele do seu lado enquanto trabalha?"

Escrever? Com a mão? No papel? Como um neandertal?

Apesar de ter minhas dúvidas, fiz isso. Todo dia, eu olhava o caderninho antes de começar a trabalhar, anotava o que tinha pra fazer e riscava o que já tinha feito.

A pandemia tinha acabado de começar e junto com ela comecei a trabalhar de casa. Moro em São Bernardo do Campo e o escritório da Alura fica na Vila Mariana, em São Paulo. Todos os dias eu ia pra lá de carro, um trajeto que durava entre 40 minutos e uma hora. Um tempo ok para os padrões de São Paulo.

Eu não tinha ideia de como isso iria fazer diferença no meu dia.

Sempre fui uma pessoa ansiosa e tirar essa obrigatoriedade de acordar um certo horário, colocar uma roupa, pegar o carro e dirigir foi simplesmente incrível. Eu diria que uns 30% da minha cota de ansiedade diária desapareceram.

Eu podia trabalhar no meu ritmo, no meu tempo. E quando ia trabalhar, tava lá do lado do computador o caderninho com o que eu tinha que fazer anotado.

A sensação de não esquecer as coisas é muito boa. Ficar tranquilo todos os dias sem medo, sabendo o que tinha que fazer hoje e o que tem que ser feito amanhã. Ter controle.

Um dia, riscando as tarefas que tinha feito no dia eu lembrei de uma ferramenta que já tinha testado pra me organizar antes: Todoist. E se eu tentasse colocar no Todoist o que tava colocando no caderninho?

Todoist é uma ferramenta que tem uma interface super simples: você cria projetos e dentro deles, listas como essa aí em cima. Você coloca os itens na lista e vai checando conforme for completando as tarefas. Simples.

Muito parecido com o caderninho, certo?

Foi que eu percebi: as inúmeras ferramentas que tentei usar (e não consegui) eram boas, só que eu tinha coisa demais na cabeça pra colocar ali. E eu tentava ficar colocando os mínimos detalhes da minha vida, usar todas as funcionalidades e integrações da ferramenta até me perder ali.

Eu precisava de algo simples.

Como um caderno. Ou um projetinho no Todoist.
Por um tempo, escrevi tanto no caderno quanto no Todoist. Hoje, tô só com a ferramenta.

Lá, eu tenho dos projetos fixos: um que chamo de trabalho e outro de gabs. No primeiro eu coloco tudo que preciso fazer relacionado a trabalho. No segundo, tudo que preciso fazer relacionado a meu blog, canal, redes sociais e tudo mais.

Mas tem mais fixos:
vida é onde eu anoto coisas que não são de trabalho. comprar é o projeto que eu uso pra anotar coisas que preciso comprar quando for no mercado. tweets é o projeto onde anoto ideias de tweets que tenho enquanto trabalho.

Os outros são todos projetos pontuais.
Exemplo: tive uma reunião sexta passada onde precisava discutir vários tópicos e, conforme fui lembrando de coisas que eu tinha pra pontuar na reunião, fui anotando no projeto reunião de sexta.

Descobri que meus pensamentos não acontecem de forma linear.

Às vezes eu tô cortando cebola pra fazer comida e uma ideia de post simplesmente vem. Enquanto eu trabalho, é normal eu lembrar do nada de coisas que eu preciso fazer que não tem nada a ver com trabalho.

Se eu não anotar, eu esqueço.

Essa maneira simples de anotar as coisas tem funcionado muito bem pra minhas tarefas diárias. Só que o Todoist é simples demais: não dá pra centralizar tudo que eu preciso anotar e escrever nele.

Então, vamos a mais uma ferramenta que eu uso diariamente: Evernote.

As pessoas estão acostumadas a me ver lives, fazendo podcasts e aparecendo em canais de tecnologia.

Isso na verdade é só uma pequena parte do meu trabalho.

Quase tudo que eu faço hoje envolve escrever muito: blog posts, roteiros, descrições de episódios, muitos emails.

Diferentemente do Todoist, as coisas que estão no meu Evernote talvez sejam usadas mais de uma vez: pra lembrar de algo, usar como inspiração ou só pra ter um arquivo mesmo.

Mas essas ferramentas não resolvem um problema: esquecer de datas e compromissos. Pra isso, eu tô usando o bom e velho Calendar do Google. Engraçado que, naquela época que eu tava à beira de um surto, achava que o Calendar não funcionava pra mim porque...bem, simplesmente porque não funcionava. Mas a realidade é que eu não usava ela de verdade.

Não adianta a ferramenta ser incrível se você não usa ela.

Hoje eu uso de verdade o Calendar: olho ele antes de dormir pra lembrar o que tenho no outro dia, anoto TODAS as datas que eu não posso esquecer e encho de lembretes. E agora funciona.

E ah, pra fechar: pra tarefas que envolver mais de uma pessoa ou time, uso o bem e velho Trello. Não vou entrar em muitos detalhes sobre ele porque senão esse post vai ficar grande demais.

O conselho que eu dou pra fechar esse post é: se você tem dificuldades pra se organizar, desencana das ferramentas com milhares de funcionalidades. Começa usando algo mais simples possível e aos poucos vá adicionando ferramentas no seu dia.

Pra quem não é naturalmente organizado, é um processo. Você não vai simplesmente se tornar uma pessoa organizada do dia pra noite.

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