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As empresas querem contratar os melhores devs, mas (quase) ninguém quer criá-los

As empresas querem contratar os melhores devs, mas (quase) ninguém quer criá-los.

Contratamos os melhores devs.

Você provavelmente já leu ou ouviu isso de alguma empresa.
Todos querem os melhores devs.

Como se os melhores devs fossem criados magicamente em algum tipo de fábrica de talentos prontinhos, com as habilidades necessárias pra arrebentar nos projetos de qualquer empresa.

Olha, depois de dar muitas aulas, ir em eventos, gravar podcasts e fazer lives eu conheci muitos devs bons. Eu conheço devs excelentes.

E a maioria deles não são rockstars. Muito pelo contrário: são pessoas que sofrem da tal síndrome do impostor, que tinham dificuldade de se comunicar, que não se encaixavam em muitas empresas e por isso foram demitidos.

Eu mesmo sou um bom exemplo disso.
Antes de começar a trabalhar na Alura, eu sofri muito passando por várias empresas onde eu simplesmente não conseguia me encaixar. Eu já fui demitido mais de uma vez porque não entregava o que a empresa esperava de mim.

Maus exemplos e empresas ruins

Vamos combinar uma coisa aqui: existem empresas legais de se trabalhar e empresas, bem...não tão legais.

E quando estamos começando geralmente não dá pra escolher muito. Se você cair em uma empresa não muito boa, pode acabar em um ambiente sem líderes que te inspiram e com uma cultura tóxica que vai te influenciar negativamente.

E isso vai impactar no seu futuro, em suas próximas entrevistas e trabalhos.

Ou seja: dificilmente você será a pessoa que irá passar naquele processo ultra complexo com 7 fases e 32 entrevistas daquela empresa super bacana da moda que todo mundo quer trabalhar.

Porque pra ela, você simplesmente não é bom o suficiente.

Onde as empresas falham

Por que as empresas querem contratar apenas os melhores?

Eu te digo: é porque a grande maioria não consegue criar ambientes saudáveis onde as pessoas possam crescer profissionalmente desenvolvendo bons hábitos ao mesmo tempo que conseguem produzir e entregar o que a empresa espera.

Porque os líderes muitas vezes tem dificuldades de entender que o trabalho dos devs mais experientes não é apenas escrever código e entregar funcionalidades, mas mentorar e ajudar a formar novos devs.

Criando grandes devs, e não contratando

É necessário que as empresas criem uma cultura de aprendizado, mentoria e crescimento para seus devs.

Eles precisam aprender com seus erros através de feedback constante de seus líderes.
Precisam estar sempre estudando algo novo e sendo estimulados a isso.
Precisam de incentivo pra ler livros, ir em conferências e meetups e dar a cara a tapa.

A partir do momento que você tem uma cultura próxima disso, não precisa ter um processo bizarro pra contratar apenas os melhores. Você pode contratar alguém que, no momento, não tem tudo que você precisa.
Mas que tem muita vontade de aprender e crescer, e que depois de tempo pode se tornar o melhor dev que já conheceu.

Alguém que já tenha passado por uma empresa ou outra mas não se deu muito bem ainda.
Alguém que está entrando no mercado depois de uma certa idade, está mudando de carreira e começando do zero.
Alguém que não teve muitas oportunidades na vida e que precisa de um empurrãozinho.

E se a pessoa for embora?

"Mas se eu treinar e mentorar a pessoa ela vai embora pra trabalhar em um lugar que pague mais."

Isso é uma falácia.
Na grande maioria dos casos, as pessoas não saem da sua empresa por causa de salário.

Claro, não dá pra generalizar porque tem gente que faz isso sim. Eu já fiz.

Mas, se você tiver os melhores no seu time, você também não corre esse risco de perdê-los?
Essa possibilidade sempre vai existir.

Uma coisa eu te garanto: a chance de alguém que você deu oportunidade e fez crescer querer ficar na sua empresa é bem maior do que um rockstar qualquer contratado no mercado a peso de ouro.

Inspire-se

Pra fechar esse artigo, vou colocar aqui algumas histórias de pessoas que conseguiram ter sua primeira oportunidade com tecnologia depois de anos trabalhando em áreas diferentes. E que estão agregando muito valor às empresas que trabalham.

O Thiago trabalhou por 10 anos como instrutor de autoescola, mas sempre teve vontade de estudar outras coisas e aprender mais sobre diversas áreas. Acabou encontrando na tecnologia o ponto de mudança em sua carreira!

Vanesa sempre gostou muito de estudar e passou de primeira na faculdade de biologia. Se formou, estudou fora, fez mestrado, foi garçonete e hoje trabalha com ciência de dados na Fiocruz.

Depois de trabalhar muito tempo com algo que não via propósito, a Bruna encontrou seu caminho dentro da área de TI.

O Thiago tentou por muito tempo ser jogador de futebol, mas se encontrou em tech depois dos 30!

O João começou a sua carreira em agronomia e descobriu que o caminho para crescer era mergulhar em tecnologia.

A Débora começou sua carreira na publicidade, migrou pra fotografia e acabou se descobrindo na programação.

A Fernanda sempre foi muito tímida, mas encontrou no teatro uma maneira de viver outras vidas e se apaixonou pelos palcos. Mas ela não imaginava que, depois de muitos anos, teria sua vida transformada através da tecnologia.

Vendedor, guarda municipal, professor de biologia. Essas foram algumas das profissões que o Victor teve. Mas ele nunca se sentiu completo em nenhuma delas.
Foi só depois dos 30 anos que ele conseguiu encontrar a profissão que realmente o faz feliz. Hoje ele é Analista de BI no Grupo Alura.

O Rafael nunca foi um bom aluno e, apesar disso, acabou se tornando professor. E dos bons.

Mas em um determinado momento da carreira, sentiu que queria mudar de ares: ele não estava completamene feliz fazendo o que fazia. Aos 35 anos, se tornou programador e hoje vive e trabalha em Lisboa, Portugal.


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